domingo, 16 de janeiro de 2011
Entrevista com Gilberto Gaertner, psicólogo do esporte.
Desde o início de sua formação o atleta deve ter o emocional trabalhado, pois este pode afetar no controle neuromuscular, fisiológico e no desempenho dele, atrapalhando-o a chegar em seu objetivo alvo.
A importância de um profissional para trabalhar com o equilibrio emocional do atleta, principalmente em grandes competições como as Olimpíadas, é um dos aasuntos abordados na entrevista acima.
ATLETAS DE ALTO RENDIMENTO: IDENTIDADE EM CONSTRUÇÃO ; Dra. Neuza Maria de Fátima Guareschi
Ao longo da dissertação busquei investigar como jovens atletas que se dedicam à prática do esporte de alto rendimento constróem suas identidades. Para construir e problematizar esta questão, fui levantando alguns dispositivos do esporte contemporâneo como o narcisismo que permeia a cultura esportiva, a relação de trabalho que acaba sendo constituída através do treinamento, as relações sociais estabelecidas pelos atletas com outras pessoas e a produção do corpo atlético que compreendi como capazes de produzir e de subjetivar esses jovens através da sua prática.
Nesse sentido, percebi que a dedicação ao esporte de alto rendimento produz uma situação paradoxal para esses atletas, pois, ao mesmo tempo em que estabelecem diferenças que demarcam suas identidades de atleta e das quais se orgulham, estas mesmas diferenças podem servir como um ponto de conflito justamente por diferenciá-los dos jovens nãopraticantes do esporte de competição e que muitas vezes representam o discurso hegemônico atual de nossa sociedade, tido como natural e esperado. Essas diferenças são percebidas principalmente nas questões que dizem respeito à vida profissional futura e à
rotina rígida de vida que se estabelece, influenciando principalmente as relações sociais dos jovens. Assim, por exemplo, ao mesmo tempo em que se orgulham dos resultados alcançados por sua dedicação, ressentem-se de não conseguir cumprir com compromissos da universidade ou do trabalho que consideram importantes.
Geralmente essas diferenças passam a ser incômodas aos atletas quando se deparam com o olhar de um outro de fora da cultura esportiva, pois, enquanto encontram-se capturados por esse discurso, essas diferenças são percebidas como sendo mais um obstáculo a ser ultrapassado na trajetória de atleta.
A identidade do atleta de alto rendimento é associada ao caráter de heróico, saudável, belo e vencedor. Essas características fazem eco aos discursos médico, técnicocientífico e midiático contemporâneos, ajudando o sujeito a sentir-se realizado através de seus feitos. O discurso da sociedade atual preconiza atitudes como a determinação, o esforço contínuo, a busca de limites que se coadunam perfeitamente com os ideais do esporte, permitindo que esses jovens sintam, através de sua prática, que estão preparando-se para sua vida futura e para o mercado de trabalho. Os ganhos narcísicos ficam evidentes
não só através da produção e transformação do corpo como na gratificação percebida pelo olhar do outro, que aqui pode ser entendido como o olhar da mídia, dos amigos, da medicina, da família.
Assim, reforçar as diferenças em favor do esporte é reforçar os significados de sucesso, performance excelente e vencedora que a identidade de atleta traz associada. Muitas vezes, esses sentidos ajudam crianças e jovens a superar dificuldades pessoais como timidez, dificuldade de inserir-se em grupos, entre outras.
As relações de poder que permeiam os discursos da cultura esportiva
contemporânea só são percebidos através de seus efeitos, pois, após sua inserção no esporte, os sujeitos vão sendo interpelados, constituindo-se e passando a responder desse lugar do esporte. Desse modo, já posicionados nesses discursos de esportividade e competitividade, muitas vezes os tomam como verdades e passam a subjetivar-se a partir deles. Tecnologias do eu são instauradas e operações sobre o corpo e sobre o sujeito são postas em prática na busca pela realização, pelo bem-estar, pelo sucesso e performance. Os atletas se realizam através de um controle sobre si mesmos e a visibilidade maior desse processo é notada no próprio corpo. Sabendo que a identidade na contemporaneidade é centrada fortemente na corporalidade, percebemos que os marcadores identitários inscrevem-se principalmente no corpo. Assim, a produção do corpo atlético, por exemplo, traz um ganho narcísico por corresponder aos ideais preconizados pela cultura. O corpo passa a ser um dos modos privilegiados de visibilidade dos discursos de bem-estar e felicidade de nossa ética contemporânea.
A prática esportiva constituída como uma prática cultural valoriza o sucesso e a otimização da performance, geralmente relegando as virtudes dos sujeitos a um plano secundário. A valorização da performance excelente talvez seja mais exacerbada em modalidades esportivas individuais em que o desempenho depende exclusivamente do atleta e não de uma equipe ou time, resultando numa maior pressão pelo resultado. O sujeito se sente, muitas vezes, destituído de virtudes, porque o que conta para o sucesso e para ser reconhecido como um bom atleta é a visibilidade da performance. Esse é um dos efeitos que produz sofrimento para esses jovens. Esse sofrimento algumas vezes pode desencadear a dificuldade de muitos atletas em conseguir encerrar sua carreira esportiva de forma tranqüila, pois enfrentar o declínio da performance é, para alguns, intolerável. Outras vezes, esse efeito pode ainda desencadear um sentimento de vazio que busca ser preenchido de forma não produtiva ao sujeito como o uso de drogas e a sobrecarga de treinamento.
Se a identidade de atleta é associada ao heróico, vencedor, capaz de suportar toda e qualquer adversidade, fica muito complicado e sofrido lidar com uma performance que não seja considerada excelente. Isso precisa ser compreendido por nós enquanto agentes de saúde mental, pois ninguém consegue manter-se no auge do desempenho por todo o tempo.
A questão que fica é como nós, enquanto psicólogos, lidamos com a saúde mental destes sujeitos. Como são tomadas ou entendidas as diversas interpelações sofridas pelos atletas e discutidas ao longo da dissertação, se os encararmos como seres mecânicos e quantitativos, sem considerarmos os efeitos na subjetividade, como pressupõe o paradigma positivista de ciência? Em função dessas problematizações, parece que é premente que se desenvolvam estudos que investiguem as problemáticas do sujeito, utilizando outros
paradigmas científicos que possam contribuir na discussão dessas questões. Espero que esta pesquisa seja apenas o encerramento de uma etapa nesse processo de construção de conhecimentos a respeito desta área emergente da Psicologia que ainda tem muitas possibilidades de investigação, crescimento e de problematizações.
Nesse sentido, percebi que a dedicação ao esporte de alto rendimento produz uma situação paradoxal para esses atletas, pois, ao mesmo tempo em que estabelecem diferenças que demarcam suas identidades de atleta e das quais se orgulham, estas mesmas diferenças podem servir como um ponto de conflito justamente por diferenciá-los dos jovens nãopraticantes do esporte de competição e que muitas vezes representam o discurso hegemônico atual de nossa sociedade, tido como natural e esperado. Essas diferenças são percebidas principalmente nas questões que dizem respeito à vida profissional futura e à
rotina rígida de vida que se estabelece, influenciando principalmente as relações sociais dos jovens. Assim, por exemplo, ao mesmo tempo em que se orgulham dos resultados alcançados por sua dedicação, ressentem-se de não conseguir cumprir com compromissos da universidade ou do trabalho que consideram importantes.
Geralmente essas diferenças passam a ser incômodas aos atletas quando se deparam com o olhar de um outro de fora da cultura esportiva, pois, enquanto encontram-se capturados por esse discurso, essas diferenças são percebidas como sendo mais um obstáculo a ser ultrapassado na trajetória de atleta.
A identidade do atleta de alto rendimento é associada ao caráter de heróico, saudável, belo e vencedor. Essas características fazem eco aos discursos médico, técnicocientífico e midiático contemporâneos, ajudando o sujeito a sentir-se realizado através de seus feitos. O discurso da sociedade atual preconiza atitudes como a determinação, o esforço contínuo, a busca de limites que se coadunam perfeitamente com os ideais do esporte, permitindo que esses jovens sintam, através de sua prática, que estão preparando-se para sua vida futura e para o mercado de trabalho. Os ganhos narcísicos ficam evidentes
não só através da produção e transformação do corpo como na gratificação percebida pelo olhar do outro, que aqui pode ser entendido como o olhar da mídia, dos amigos, da medicina, da família.
Assim, reforçar as diferenças em favor do esporte é reforçar os significados de sucesso, performance excelente e vencedora que a identidade de atleta traz associada. Muitas vezes, esses sentidos ajudam crianças e jovens a superar dificuldades pessoais como timidez, dificuldade de inserir-se em grupos, entre outras.
As relações de poder que permeiam os discursos da cultura esportiva
contemporânea só são percebidos através de seus efeitos, pois, após sua inserção no esporte, os sujeitos vão sendo interpelados, constituindo-se e passando a responder desse lugar do esporte. Desse modo, já posicionados nesses discursos de esportividade e competitividade, muitas vezes os tomam como verdades e passam a subjetivar-se a partir deles. Tecnologias do eu são instauradas e operações sobre o corpo e sobre o sujeito são postas em prática na busca pela realização, pelo bem-estar, pelo sucesso e performance. Os atletas se realizam através de um controle sobre si mesmos e a visibilidade maior desse processo é notada no próprio corpo. Sabendo que a identidade na contemporaneidade é centrada fortemente na corporalidade, percebemos que os marcadores identitários inscrevem-se principalmente no corpo. Assim, a produção do corpo atlético, por exemplo, traz um ganho narcísico por corresponder aos ideais preconizados pela cultura. O corpo passa a ser um dos modos privilegiados de visibilidade dos discursos de bem-estar e felicidade de nossa ética contemporânea.
A prática esportiva constituída como uma prática cultural valoriza o sucesso e a otimização da performance, geralmente relegando as virtudes dos sujeitos a um plano secundário. A valorização da performance excelente talvez seja mais exacerbada em modalidades esportivas individuais em que o desempenho depende exclusivamente do atleta e não de uma equipe ou time, resultando numa maior pressão pelo resultado. O sujeito se sente, muitas vezes, destituído de virtudes, porque o que conta para o sucesso e para ser reconhecido como um bom atleta é a visibilidade da performance. Esse é um dos efeitos que produz sofrimento para esses jovens. Esse sofrimento algumas vezes pode desencadear a dificuldade de muitos atletas em conseguir encerrar sua carreira esportiva de forma tranqüila, pois enfrentar o declínio da performance é, para alguns, intolerável. Outras vezes, esse efeito pode ainda desencadear um sentimento de vazio que busca ser preenchido de forma não produtiva ao sujeito como o uso de drogas e a sobrecarga de treinamento.
Se a identidade de atleta é associada ao heróico, vencedor, capaz de suportar toda e qualquer adversidade, fica muito complicado e sofrido lidar com uma performance que não seja considerada excelente. Isso precisa ser compreendido por nós enquanto agentes de saúde mental, pois ninguém consegue manter-se no auge do desempenho por todo o tempo.
A questão que fica é como nós, enquanto psicólogos, lidamos com a saúde mental destes sujeitos. Como são tomadas ou entendidas as diversas interpelações sofridas pelos atletas e discutidas ao longo da dissertação, se os encararmos como seres mecânicos e quantitativos, sem considerarmos os efeitos na subjetividade, como pressupõe o paradigma positivista de ciência? Em função dessas problematizações, parece que é premente que se desenvolvam estudos que investiguem as problemáticas do sujeito, utilizando outros
paradigmas científicos que possam contribuir na discussão dessas questões. Espero que esta pesquisa seja apenas o encerramento de uma etapa nesse processo de construção de conhecimentos a respeito desta área emergente da Psicologia que ainda tem muitas possibilidades de investigação, crescimento e de problematizações.
Opinião de um profissional sobre a influência de um trabalho psicológico em uma equipe.
http://www.youtube.com/watch?v=7WmFMfanwYQ
O vídeo postado acima traz uma entrevista em que Di Bonifácio dá a sua opinião sobre a influencia psicológica no esporte de alto rendimento.O entrevistado faz importantes considerações como diz que acredita que quanto maior o nível da competição, mais deve ser trabalhada a parte psicológica do atleta.
Em outra passagem ele afirma que não se trata o aspecto psicológico em curto prazo,e sim deve ser trabalho em longo prazo,trabalho esse que o técnico da seleção brasileira feminina de vôlei fez com sua equipe,desde o vexame nas olimpíadas de 2004 até a conquista do ouro olímpico na de Pequim em 2008.
O que também é muito interessante é que ele afirma que deve haver um trabalho psicológico diferenciado por gênero e por faixa etária nas equipes,e que esse é um erro muito praticado hoje em dia,a criação de técnicos "fabricados" apenas baseado em uma modelo.
Logo se vê a importância que tem que ser dada a psicologia no esporte de alto rendimento,visando sempre um melhor rendimento.
O vídeo postado acima traz uma entrevista em que Di Bonifácio dá a sua opinião sobre a influencia psicológica no esporte de alto rendimento.O entrevistado faz importantes considerações como diz que acredita que quanto maior o nível da competição, mais deve ser trabalhada a parte psicológica do atleta.
Em outra passagem ele afirma que não se trata o aspecto psicológico em curto prazo,e sim deve ser trabalho em longo prazo,trabalho esse que o técnico da seleção brasileira feminina de vôlei fez com sua equipe,desde o vexame nas olimpíadas de 2004 até a conquista do ouro olímpico na de Pequim em 2008.
O que também é muito interessante é que ele afirma que deve haver um trabalho psicológico diferenciado por gênero e por faixa etária nas equipes,e que esse é um erro muito praticado hoje em dia,a criação de técnicos "fabricados" apenas baseado em uma modelo.
Logo se vê a importância que tem que ser dada a psicologia no esporte de alto rendimento,visando sempre um melhor rendimento.
Documentario: Momento de decisão.
Muitos fatos que ocorrem hoje em dia com atletas de alto nível, como o escândalo envolvendo o golfista Tiger Woods ou o jogador de futebol da Roma Adriano, quando jogava no Flamengo, podem ser elucidados através da experiência e do conhecimento da Ph.D Cristina Versari, presidenta do Centro de Estudos Integrados da Universidade de San Diego, Califórnia.
http://sportv.globo.com/videos/v/sportv-especial-momento-de-decisao/1399281/
http://sportv.globo.com/videos/v/sportv-especial-momento-de-decisao/1399281/
alto rendimento em esportes radicais
Como atua o fator psicológico nos esportes de risco?
2 setembro 2010 por Duddu sob MundoTags: analise, artigo, ensaio, estudo, medo, psicologia
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O doutor Miguel Lucas escreveu um brihante artigo a respeito da relação do fator psicológico com a prática de esportes de risco. Para concluir o seu texto, ele se baseou nas descrições das sensações e análises de comportamento de atletas de atividades como: escalada de grandes altitudes, mergulho de profundidade, pára-quedismo, queda livre, surf, moutain bike, snowboard, parkour, rapel australiano, rafting…
O resultado alcançado é nada mais nada menos do que uma sonda na mente dos praticantes de Parkour. Vários dos questionamentos que ele se propôs a responder são exatamente os mesmos que os tracers se fazem diariamente. Entre eles destaco:
- A relação entre uma boa performance e um baixo rendimento
- Como o atleta consciente de suas habilidades encara os desafio e riscos propostos pela atividade
- A capacidade de desenvolvimento do controle das emoções através da repetição e de um sistema de treino
- A forma como o corpo torna-se dependente da prática da atividade de risco (vício)
- Como o atleta consciente de suas habilidades encara os desafio e riscos propostos pela atividade
- A capacidade de desenvolvimento do controle das emoções através da repetição e de um sistema de treino
- A forma como o corpo torna-se dependente da prática da atividade de risco (vício)
Destaquei também algumas passagens interessantes:
“Ao executarem as técnicas e gestos específicos associadas a cada modalidade dos desportos radicais, os atletas atingem um estado que na psicologia desportiva chamamos de Zona de Desafio: quando o atleta se encontra bem preparado, pronto para a execução e os seus recursos são suficientes, podendo ser recrutados quando necessário e ser usados de forma eficaz cumprindo as exigência da tarefa.”
“Os desportos de alto risco diferem de outros desportos, dado que os participantes enfrentam conscientemente o risco de lesões graves e até a morte quando as decisões acertadas ou o equipamento falham.”
“Nós olhamos para uma situação de risco e sabemos que se estivéssemos (naquela situação), estaríamos fora de controle. Mas a partir da perspectiva destes atletas, eles têm muito controle sobre a situação.”
Tudo isso e muito mais ao alcance do seu clique: ler o artigo completo.
Autor: Miguel Lucas
Licenciado em Psicologia. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo.
Licenciado em Psicologia. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo.
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