quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Psicologia do Esporte - Vídeo produzido por Kleber Fialho, Psicólogo do Esporte e professor da Universidade Federal do Tocantins.

Estados emocionais de técnicos brasileiros de alto rendimento


Brandão, Maria Regina Ferreira; Agresta, Marisa; Rebustini, Flavio
Revista Brasileira de Ciência e Movimento - Brasília v.10, n. 3, p. 25 – 28, julho 2002.

Uma das funções mais importantes na manutenção do equilíbrio e da dinâmica de um grupo esportivo está no papel de técnico. Assim, o estudo das características e estados emocionais dos técnicos é crítico para o entendimento da performance esportiva.
           A pessoa que exerce a liderança, denominada de líder, necessita ter algumas características de personalidade para que consiga fazer com que os membros do time possam se desempenhar com o máximo esforço na busca destas metas e, além do mais, “quanto mais alto é o nível de preparação técnico/tática do grupo esportivo, mais atentamente é necessário considerar as peculiaridades da conduta do líder”. No ambiente esportivo, um técnico, como um líder de uma equipe precisa cumprir muitos papéis dentro de uma gama de atividades, ser um administrador do time, amigo dos atletas, um planejador ou arquiteto, um professor, e, muitas vezes até mesmo um psicólogo. Como “psicólogo”, o técnico deve garantir e estabelecer meios claros e objetivos de comunicação, ser capaz de receber e transmitir informações de uma forma precisa, deve ser um bom motivador do grupo, tentar desenvolver os sonhos e aspirações de seus atletas e ao mesmo tempo dar autonomia e permitir o crescimento individual dos jogadores. 



Pode-se observar na TABELA 1 e na FIGURA 1 que os técnicos desportivos apresentaram valores para tensão, raiva, vigor e fadiga significativamente mais elevados do que os jogadores de alto rendimento (p<0,01). Estes resultados indicam que, quando comparados com os atletas, os técnicos demonstram ter estados emocionais alterados que podem, muitas vezes, ser observados diretamente através de manifestações psicomotoras, agitação e inquietação e por acessos de fúria quando os jogadores cometem erros, durante os jogos. Como a performance do técnico, quase sempre, está relacionada à performance da equipe, o relacionamento entre o treinador e os atletas é mais do que de ser um orientador. Ele tem que contornar as contradições e ter equilíbrio e controle emocional para poder liderar seus atletas.
Tanto os atletas quanto os treinadores são fortes candidatos ao “burnout”.  “Burnout” é um conceito complexo que envolve uma forte reação emocional, psicológica e física em resposta a pressão e ao estresse excessivos; ao treinamento físico intenso; a exaustão física; a insatisfação pela monotonia dos treinamentos e/ou ao repouso inadequado. Estas reações são acompanhadas por sentimentos de baixa auto-estima, fracasso em atingir as metas traçadas e depressão, o que leva a perda de produtividade e diminuição do nível de performance.
            Pode-se dizer, portanto, que os técnicos desportivos apresentaram valores elevados para tensão, raiva, vigor e fadiga que têm sido associados ao desgaste da profissão de treinador e ao fato de os técnicos assumirem muitos papéis, trabalharem exaustivamente na preparação e execução dos processos de treinamentos e competições, de dependerem de resultados esportivos elevados e de terem que lidar com diferentes características e traços de personalidade de seus atletas, dos membros da comissão técnica e dos dirigentes esportivos.